Nessa rigidez que tantos carregamos, as asas de cada um(a)
encerram-se, atrofiam-se e demoram a estirar-se frente ao mundo… Se é que
alguma vez chegam a fazê-lo.
Este texto, dedico-o especificamente às mulheres, focando a
condição feminina que herdámos e carregamos ao longo de tantas e tantas
gerações.
Muito nos é exigido, enquanto mulheres.
A decência, o recato, o serviço e mais recentemente o sucesso, no trabalho e em casa.
A decência, o recato, o serviço e mais recentemente o sucesso, no trabalho e em casa.
Nascemos mulheres e tornamo-nos mulheres cheias de
imposições. Somos bombardeadas com crenças que nos assolam a alma e nos dizem
quem devemos ser… na sociedade, na família, nos trabalhos e com os namorados ou
maridos (de propósito não referi namoradas nem mulheres).
Recebemos heranças das mães e das avós, tantas vezes
carregadas de vergonhas e pudores. Ouvimos comentários, recebemos olhares, criam-se
expectativas para que sejamos alguém idealizado, sem haver curiosidade para saber
quem já somos e que energia trazemos connosco na chegada a este mundo.
Ainda se abre pouco o espaço para nos ser dito:
- Descobre-te e cresce. Desperta o melhor que há em ti e
aprende a amar-te. Conecta-te com o teu lado feminino e o teu masculino. Sê
feliz. Rodeia-te de quem te ofereça alegria e te respeite por quem és, que
honre o que construíste e o que ambicionas alcançar, para ti, por ti. Não para
agradar aos outros.
- Muitas vezes o mundo vai discordar. Tantas outras,
não te vai entender. Mas quando estás segura de quem és e do que queres
preservar então as pessoas certas chegam e permanecem, valorizam-te e fazem-te
sentir integrada.
E nesta condição de amor-próprio deixa de haver espaço para
máscaras. Para fingir ser a mulher que não somos. Reconhecemos as nossas
diferentes facetas e aceitamo-las. Reconhecemo-nos como seres em evolução e
perdoamos o que consideramos serem as nossas falhas. Conectamo-nos com o que
sentimos. Aceitamos a raiva e a tristeza como parte do processo e integramos a
alegria e a realização com a mesma naturalidade.
Aprendemos a viver o momento sem sentir que temos de chegar
a algum lugar ou ser aquela pessoa que alguém idealizou para nós. Simplesmente…
permitimo-nos ser, sem amarras, nem falsas verdades ou recatos
hipócritas.
Entramos num processo de cura que quase sempre implica dor e
corte com o passado, com as crenças que não são nossas e já não nos servem.
Às vezes não entendemos o que se está a passar quando nos permitimos desabrochar esta essência, mas a verdade é que nos conectamos mais com o nosso sentir e com a nossa intuição.
É uma aprendizagem de corte e crescimento. Cortamos as amarras e permitimos ser guiadas por um lado mais subtil do nosso ser. Deixamos a vida ganhar mais sentido e mais paz vem para nós.
Às vezes não entendemos o que se está a passar quando nos permitimos desabrochar esta essência, mas a verdade é que nos conectamos mais com o nosso sentir e com a nossa intuição.
É uma aprendizagem de corte e crescimento. Cortamos as amarras e permitimos ser guiadas por um lado mais subtil do nosso ser. Deixamos a vida ganhar mais sentido e mais paz vem para nós.
Tudo isso acontecendo porque temos coragem para lamber e curar as feridas, soltar
as asas e voar.
Daniela Toscano
danielalourotoscano@gmail.com