segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Asas no Feminino

Há textos, como este, que demoram a sair. Talvez tardem tanto tempo quanto cada um de nós precisa, para sair do quadrado ou do convencional e ir para além daquilo que acha que tem de fazer e ser para garantir o amor, admiração e respeito dos outros.

Nessa rigidez que tantos carregamos, as asas de cada um(a) encerram-se, atrofiam-se e demoram a estirar-se frente ao mundo… Se é que alguma vez chegam a fazê-lo.

Este texto, dedico-o especificamente às mulheres, focando a condição feminina que herdámos e carregamos ao longo de tantas e tantas gerações.

Muito nos é exigido, enquanto mulheres.
A decência, o recato, o serviço e mais recentemente o sucesso, no trabalho e em casa.

Nascemos mulheres e tornamo-nos mulheres cheias de imposições. Somos bombardeadas com crenças que nos assolam a alma e nos dizem quem devemos ser… na sociedade, na família, nos trabalhos e com os namorados ou maridos (de propósito não referi namoradas nem mulheres).

Recebemos heranças das mães e das avós, tantas vezes carregadas de vergonhas e pudores. Ouvimos comentários, recebemos olhares, criam-se expectativas para que sejamos alguém idealizado, sem haver curiosidade para saber quem já somos e que energia trazemos connosco na chegada a este mundo.

Ainda se abre pouco o espaço para nos ser dito:

- Descobre-te e cresce. Desperta o melhor que há em ti e aprende a amar-te. Conecta-te com o teu lado feminino e o teu masculino. Sê feliz. Rodeia-te de quem te ofereça alegria e te respeite por quem és, que honre o que construíste e o que ambicionas alcançar, para ti, por ti. Não para agradar aos outros.

- Muitas vezes o mundo vai discordar. Tantas outras, não te vai entender. Mas quando estás segura de quem és e do que queres preservar então as pessoas certas chegam e permanecem, valorizam-te e fazem-te sentir integrada.



E nesta condição de amor-próprio deixa de haver espaço para máscaras. Para fingir ser a mulher que não somos. Reconhecemos as nossas diferentes facetas e aceitamo-las. Reconhecemo-nos como seres em evolução e perdoamos o que consideramos serem as nossas falhas. Conectamo-nos com o que sentimos. Aceitamos a raiva e a tristeza como parte do processo e integramos a alegria e a realização com a mesma naturalidade.

Aprendemos a viver o momento sem sentir que temos de chegar a algum lugar ou ser aquela pessoa que alguém idealizou para nós. Simplesmente… permitimo-nos ser, sem amarras, nem falsas verdades ou recatos hipócritas.

Entramos num processo de cura que quase sempre implica dor e corte com o passado, com as crenças que não são nossas e já não nos servem.
Às vezes não entendemos o que se está a passar quando nos permitimos desabrochar esta essência, mas a verdade é que nos conectamos mais com o nosso sentir e com a nossa intuição.

É uma aprendizagem de corte e crescimento. Cortamos as amarras e permitimos ser guiadas por um lado mais subtil do nosso ser. Deixamos a vida ganhar mais sentido e mais paz vem para nós.

Tudo isso acontecendo porque temos coragem para lamber e curar as feridas, soltar as asas e voar.


Daniela Toscano

danielalourotoscano@gmail.com

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Dá asas à tua alma

Houve um eclipse esta semana. Quem tem curiosidade pelo significado simbólico e espiritual destes fenómenos, como é o meu caso, certamente que se remeteu para alguma pesquisa e leitura acerca dos efeitos do eclipse a nível individual e colectivo.

Fizeram-se várias partilhas e as que ressoaram mais em mim foram as que alertavam para um momento de fim de ciclo e início de um novo período na nossa vida. Confesso-vos que este efeito, já o comecei a sentir há aproximadamente um ano e numa urgência avassaladora.

O momento que vivemos pede-nos libertação, dizem os que se dedicam a aprofundar as abordagens espirituais. Falam-nos de quebra de padrões antigos, de deixar o que já não nos serve e seguir adiante com métodos renovados e formas de estar na vida mais fluídas e autênticas.

Entrar em contacto com quem somos na nossa essência é, na minha opinião, um desafio grande que nos põe à prova e nos exige coragem, perseverança e também aceitação e mansidão na relação que estabelecemos com esse Eu Verdadeiro.

Despir as capas do social e da imagem que construímos sobre nós em função do que nos exigem numa vida em comunidade pode ser um processo lento, confrontativo e bem desorganizador. Quando aceitamos olhar para a nossa essência e reestabelecemos contacto com o que há de mais puro em nós podemos assustar-nos, sentir-nos frustrados e até mesmo viajar a um estado depressivo.

Não nos ensinaram a fazer esse exercício, a trazer o que está dentro e a expressá-lo de forma criativa e segura no lado de fora. Pediram-nos que crescêssemos iguais a outros, formatados e que encaixássemos direitinho nos padrões sociais da comunidade onde vivemos.


Quando nos observamos e ficamos atentos a quem somos, sentimos (quase sempre) necessidade de romper esses padrões e iniciar uma busca pela concretização e realização do nosso ser autêntico. Facilmente somos conotados de loucos, estranhos, hippies, sonhadores… Nessas palavras pode haver sentimentos contraditórios que roçam o desdém e a admiração.

Romper com os padrões e as crenças que nos foram impostas mas com as quais não nos identificamos conduz-nos para outro caminho, outras formas de estar na vida que se esperam mais alinhadas com a nossa essência. Considero que esse processo não é fácil, exige flexibilidade e também confiança em algo que nem sabemos o que é mas que nos guia, orienta e protege.

Viver neste desprendimento permite-nos experimentar uma “vida nova” e ganhar asas para ver o mundo desde outra perspectiva. Com mais liberdade, talvez.

Não trabalhar no que estudámos, não ter uma rotina igual durante anos a fio, não viver para ter dinheiro e pagar contas, não entrar em relações de conveniência e sem profundidade… Sair desse carrocel que dá a mesma volta todos os dias.

Ousar criar algo, construindo um projecto respeitador da nossa essência é um desafio que pode parecer impossível. Encontrar pessoas que nos tocam a alma e com quem podemos Ser, sem filtros, às vezes soa a utopia. Viver feliz, em plenitude e abundância aprendendo que só honrando quem somos nos conduz a esse estado, parece um estado inalcançável.

Mas nada disto está longe de nós. Aliás, está bem mais perto do que queremos admitir. Está aí dentro, na tua essência e na tua capacidade de ser quem és, descobrindo-te a cada dia e aceitando-te, independentemente do que te disseram que tinhas que ser.

Aceita a tua luz e não tenhas medo de brilhar. O teu contributo para o mundo é único e nenhuma outra pessoa o pode realizar por ti. Recebe o convite espiritual do eclipse e renova, recicla e deita fora o que já não serve nem te faz feliz. Valoriza as tuas capacidades e fica atento às oportunidades que se manifestam em mais um ciclo lunar que começou ontem (21/08/2017). Projecta-te com honradez, servido o mundo da melhor forma que possas.

Acredita em ti e avança, sê louco, estranho, hippie, sonhador. E concretiza, faz, manifesta o projecto da tua alma em cada pequena (ou grande) acção que empreendas!

Daniela Toscano
danielalourotoscano@gmail.com